Territórios da história: o micro, o local e o global, de Maíra Ines Vendrame e Alexandre Karsburg (orgs.)
Na introdução ao recente dossiê da revista Past & Present sobre micro-história e história global, John-Paul Ghobrial formulou um problema fundamental: a virada global poderá fornecer instrumentos para responder as questões sobre o peso das circulações e mobilidades em escala mundial sem sucumbir ao império das obras de síntese baseadas em fontes secundárias?
"Global microhistory", "singularidades conectadas", "microhistory set in motion", "micro-histórias a longa distância": estes conceitos foram forjados nos últimos anos por historiadores que, a partir de abordagens heterogêneas, intervieram no debate internacional sobre o lugar da micro-história em tempos de predominância da história global.
Para os mais entusiastas, novas pesquisas fundadas em enfoques críticos ao nacionalismo metodológico seriam capazes de demonstrar como os movimentos, fluxos e conexões transcontinentais modelaram o mundo moderno e contemporâneo. Outros, mais cautelosos, destacaram que a novidade não estava tanto numa suposta guinada para o estudo de fenômenos intrinsecamente globais, mas na construção de uma perspectiva e de formas de construir perguntas para o laboratório da escrita da história.
Os capítulos deste livro, alguns deles traduções de artigos desse mesmo dossiê, trazem à tona recursos de pesquisa conhecidos das diferentes linhagens da micro-história (atenção aos detalhes, deciframento, contextualização) no intuito de usar a singularidade dos processos locais para reavaliar as hipóteses sobre a conectividade e a globalidade do mundo.
Diego Galeano (PUC-Rio)